Porque Você Deve Fracassar (E Como Fracassar Com Sucesso)

Porque Você Deve Fracassar (E Como Fracassar Com Sucesso)

A maioria de nós tem medo do fracasso mais do que qualquer outra coisa no mundo.

O fracasso é doloroso; todos nós sabemos disso. Mas ele também é útil. Falhar é a melhor maneira de fazer as pessoas crescerem, pois essa é a única maneira de realmente aprender. Isso nos permite saber quando devemos mudar de rumo e nos dá a experiência para fazer algo da próxima vez.

Esse é o tema de um livro recente de Megan McArdle, uma ex-jornalista do The Economist e The Atlantic, que atualmente escreve para o Bloomberg View. O nome do livro é The Up Side of Down: Why Failing Well Is the Key to Success (O Lado Bom da Derrota: Porque Falhar Bem é o Segredo Para o Sucesso, em tradução livre).

O livro é um lembrete essencial para aceitar o fracasso como uma forma de aprender e reinventar. Essa é uma lição útil para todos compreenderem, principalmente para os empreendedores. O livro está repleto de reportagens e pesquisas. Existem várias anedotas interessantes, e decidimos compartilhar seis das mais valiosas para os empreendedores.

Prepare-se para aprender com algumas histórias interessantes.

História 1: Construindo uma Estrutura de Espaguete

 “Eu não fracassei. Apenas descobri 10.000 maneiras que não funcionam”. - Thomas Edison

Peter Skillman é um designer experiente que criou um exercício de design chamado o Desafio do Marshmallow.

Skillman reuniu diferentes grupos de pessoas (como engenheiros, advogados, administradores de negócios, crianças pequenas), deu a elas 20 pedaços de espaguete, um metro de fita adesiva, um marshmallow, um pedaço de barbante e 18 minutos para construir a estrutura autônoma mais alta que suportaria o marshmallow.

Adivinha quem se saiu pior?

Os administradores de negócios. Eles estavam ocupados demais escrevendo declarações de missão e traçando organogramas para construir uma estrutura sólida. Os advogados se saíram quase tão mal quanto eles. Muitas pessoas em ambos os grupos gastaram mais tempo jogando jogos de status do que realmente construindo.

Quem se saiu bem? Os engenheiros da MIT, certamente. Mas as pessoas com o melhor desempenho não são as que você esperava:

As crianças no jardim-de-infância construíram estruturas mais altas do que as dos engenheiros. E elas fizeram algo que nenhum outro grupo fez: pediram mais espaguete.

Elas não se viram cercadas de suposições. Mais importante, elas não estavam com medo de fracassar.

Em vez de perder tempo tentando descobrir quem está no comando e como seria a torre de espaguete ideal, elas começaram logo a criar. Elas fizeram experimentos sem parar e simplesmente construíram a torre mais alta que conseguiram.

Essas torres eram não faziam sentido e balançavam de um lado para outro. Mas elas eram mais altas do que as torres perfeitamente equilibradas e esteticamente elegantes construídas pelos engenheiros.

As crianças pequenas construíram as estruturas mais altas porque elas não perderam tempo com jogos de status, porque desafiaram as suposições e porque não tinham medo de fazer experimentos.

“Várias repetições”, diz Skillman, “quase sempre superam a concentração resoluta em uma única ideia”.

História 2: Você Não Sabe Se Vai Ter Sucesso Até Que Seja Lançado

“Não é o tamanho da queda que importa, mas sim a intensidade com que dá a volta por cima”. - Zig Ziglar

Se você viveu nos anos 90, você pode se lembrar de um filme ambicioso que teve lugar na água.

Esse filme exigiu um cenário gigante construído em uma massa de água enorme para simular o oceano. É complicado, sem mencionar caro, trabalhar com essas coisas; uma vez, uma onda destruiu uma peça de $8 milhões do cenário, que teve que ser reconstruída. Isso excedeu bastante o orçamento, logo ultrapassando os 200 milhões de dólares para se tornar no filme mais caro já feito até o momento.

O elenco e a equipe estavam publicamente céticos de que esse filme faria sucesso. Ele também enfrentou enormes atrasos na produção. O filme deveria ser um estouro de bilheteria de verão americano, mas foi tão severamente adiado que estreou somente em novembro.

A imprensa ridicularizou o filme e o diretor. O estúdio perdeu a esperança e rezou para conseguir pagar o investimento feito. Até o diretor estava pessimista: ele trabalhou "no conhecimento absoluto de que o estúdio iria perder 100 milhões de dólares. Era uma certeza".

Quando o filme finalmente foi lançado, a recepção foi tépida. Mas o que aconteceu em alguns meses?

Titanic ainda é um dos maiores sucessos de bilheteria de todos os tempos, após ajustes para inflação.

Ninguém previu isso. Todos tinham perdido a esperança: o elenco, a equipe, o estúdio, a imprensa; até o diretor só queria terminar logo. Ninguém soube que ele poderia ter sucesso. E teve.

Titanic desafiou as expectativas. Havia um mercado para o filme quando ninguém pensava que haveria. Geralmente os bem informados são otimistas mesmo quando mais ninguém é. Esse não era o caso aqui. As pessoas que trabalharam no projeto, que tinham mais razão do que qualquer outra pessoa para acreditar em si mesmas, estavam abertamente pessimistas sobre o desempenho desse filme.

Mas ele foi um vencedor. O argumento de McArdle é que ninguém realmente sabe que produto fará sucesso até que ele seja lançado. Existe uma empresa fracassada por trás de quase todos os empreendedores de sucesso.

História 3: Quanto Revela a Pesquisa de Mercado?

“O único erro verdadeiro é aquele através do qual não aprendemos nada”. - Henry Ford

Uma empresa respeitada em um ramo antigo estava ansiosa: estava perdendo muitas vendas para um concorrente presunçoso. Era preciso desenvolver um novo produto.

O primeiro produto da empresa foi lançado quando Lincoln ainda estava na Casa Branca. Tratava-se de uma das firmas mais respeitadas dos Estados Unidos. Essa é uma empresa com tradição – e uma grande quantidade de recursos.

Como ela respondeu ao seu concorrente? Ela iniciou um projeto para desenvolver um produto substituto que iria vender mais que o do seu concorrente. Mas antes de ser lançado, a empresa fez tudo o que podia para tentar garantir que o produto iria vender. Como ela pôde fazer isso? Fazendo uma grande quantidade de pesquisa de mercado.

Na verdade, essa é uma maneira de falar. A empresa fez mais pesquisa de mercado que qualquer outra pessoa na história do mundo. Pesquisadores saíram por todo o país, de Pensilvânia a Wisconsin, até a Califórnia, oferecendo amostras a clientes e aperfeiçoando esse produto. Eles conduziram pesquisas e fizeram perguntas para grupos de incidência e depois repetiu o processo.

A esmagadora resposta foi que o novo produto era melhor. Além de ser melhor que o produto anterior, ainda era superior ao oferecido pela concorrência.

A empresa tinha certeza de que tinha um produto vencedor em suas mãos.

O que aconteceu quando o produto foi lançado?

A repercussão da New Coke quase derrubou toda a empresa. Durou menos de três meses antes da Coca-Cola devolvê-la às prateleiras.

Você já deve ter ouvido falar no termo “Produto Viável Mínimo”. Você não precisa ser como a New Coke e esperar que os grupos de incidência lhe digam o que fazer. Construa um produto básico com os principais recursos prontos. Em seguida, lance-o e veja se as pessoas gostam dele. Depois, aprenda continuamente com o feedback e aperfeiçoe os recursos.

Essa é a era da internet. Como Naval Ravikant, cofundador da AngelList, diz: “Hardware? Não, agora só é preciso colocar na Amazon ou Rackspace. Software? É tudo de código aberto. Distribuição? É a App Store, o Facebook. Serviço ao consumidor? É o Twitter – responda aos seus melhores clientes no Twitter e obtenha satisfação. Vendas e marketing? É Google AdWords, AdSense”.

Os custos de iniciar um negócio na internet despencaram. Agora é fácil montar uma nova loja ou lançar um novo produto. A pesquisa de mercado só vai até certo ponto; na verdade, pode ser mais barato lançar um produto para testar a demanda do mercado do que reunir uma grande quantidade de dados e conduzir grupos focais. Lance; é a única verdadeira forma de testar o sucesso.

História 4: KFC e a Viagem de Carro de Coronel Sanders

 

“Eu posso aceitar o fracasso, todos falham em alguma coisa. Mas eu não posso aceitar não tentar”. - Michael Jordan

Se você já comeu Kentucky Fried Chicken, então você já comeu de um balde com o rosto do Coronel Sanders. Não, isso não se trata de como o Coronel Sanders nunca foi um coronel de verdade no Exército dos EUA. A história que McArdle conta é muito mais interessante do que isso.

Harland Sanders nunca teve sucesso antes dos 40 anos. Ele sofreu uma longa sequência de fracassos e passou os primeiros 20 anos da sua vida profissional sem rumo, se demitindo ou sendo despedido por insubordinação sempre que conseguia encontrar emprego. Sua esposa acabou por deixá-lo e fugir com os filhos.

Na casa dos 40 anos, ele finalmente encontrou um ponto de apoio, gerindo um posto de gasolina que também servia frango frito a viajantes cansados. Isso correu bem por um tempo, mas depois o governo construiu a Interestadual 75 e desviou todo o seu tráfego. Agora ele tinha 65 anos e estava enfrentando a falência mais uma vez.

O fracasso do seu restaurante não foi sua culpa. Mas ele não descansou.

Em vez disso, ele pegou a estrada no início de 1950. Ele preparou seu frango frito para centenas de donos de restaurantes, implorando para que lhe dessem uma comissão de 5 centavos sempre que usassem a sua receita. Ele cruzou o país em um Cadillac batido, falando com pessoas todos os dias e também enfrentou a rejeição todos os dias.

Foi somente em um restaurante em Utah que ele encontrou alguém disposto a admiti-lo. Um dono reconheceu o potencial da receita e concordou em franquear o prato. E olhe o quanto o KFC cresceu.

O sucesso de Harland Sanders nasceu de má sorte e de uma capacidade de sempre procurar por perto. Ele não desistiu, não descansou e nunca esperou que a oportunidade caísse do céu. Em vez disso, ele saiu e encontrou-a.

História 5: Pessoas de Mentalidade em Crescimento e Pessoas de Mentalidade Fixa

“Minha grande preocupação não é se você falhou, mas se está contente com sua falha”. -Abraham Lincoln

De acordo com Carol Dweck, uma professora de psicologia em Stanford, existem dois tipos de pessoa quando se trata de pensar em desafios. Um grupo pensa que o talento é algo fixo: você o tem como uma habilidade especial ou não o tem. O outro grupo pensa que é possível desenvolver os talentos fazendo coisas em que não é bom.

Aqui está outra maneira de pensar nisso: o primeiro grupo tem uma “mentalidade fixa” para desafios. Eles referem sua inteligência, que pode ser considerável, como o teste decisivo para saber se deveriam tentar algo novo: se você é bom em alguma coisa, você faz; se não é tão bom, a atividade provavelmente deve ser evitada.

Quando as pessoas de mentalidade fixa são forçadas em um desafio para o qual não estão preparadas, elas podem exercer a notável tarefa de se colocarem em desvantagem. Não acredita? Tente se lembrar dos seus dias de escola ou faculdade: você não tinha amigos que se recusavam a estudar, que decidiam ir ao cinema ou ficar muito bêbados logo antes do vestibular ou de um teste importante? Por que essas pessoas faziam isso?

Eis o porquê. Considere a reação do seu amigo se ele tirar uma nota ruim: ele pode dizer que fracassou porque não estudou, não porque ele não é inteligente; e se ele se sair bem, então ele pode ficar ainda mais satisfeito: “Olha, eu me saí super bem sem nem estudar”.

Vamos passar para o outro tipo de pessoas. Elas são conhecidas como pessoas de mentalidade em crescimento. Em vez de evitar as coisas em que não são boas, elas aceitam novos desafios como oportunidades para aprender. Elas não encaram a própria inteligência como um critério de medição: em vez disso, percebem que ela poderá ser melhorada. Então, ao invés de evitar, elas aceitam os desafios de bom grado e acreditam que seu desempenho pode ser melhorado.

Pode ser doloroso ver que você não é tão bom quanto outras pessoas em uma tarefa. Mas não há dúvidas de que a constante melhoria procurada por pessoas de mentalidade em crescimento as deixam mais suscetíveis a se depararem com uma boa ideia.

Você é uma pessoa de mentalidade em crescimento ou fixa? Se você fica feliz por tentar coisas novas, mesmo que, inicialmente, não tenha um bom desempenho nelas, se aprende com as críticas e se persiste diante de contratempos, então é provável que você seja uma pessoa de mentalidade em crescimento. E se você tende a ver o esforço como infrutífero, se tenta evitar desafios e se se sente ameaçado pelo sucesso dos outros, então é provável que você seja uma pessoa de mentalidade fixa.

Adivinha quem desenvolve os melhores empreendedores?

História 6: As Alegrias de Escalar Alto

“Qual o sentido de estar vivo se você nem ao menos tenta fazer algo extraordinário?” – John Green

Essa última parte não é necessariamente uma história. É mais a identificação de uma tendência.

Os pais de hoje em dia estão com medo. Pela primeira vez em muito tempo, eles acreditam que seus filhos terão um padrão de vida pior do que eles conhecem. Qual é a sua resposta para assegurar o futuro dos filhos? Muitos pais acreditam que a maneira de assegurar um bom trabalho no futuro é fazer o máximo que puderem para conquistar um lugar cobiçado em uma universidade de elite. Só depois eles podem estar seguros.

Existem histórias de pais bem acomodados em Nova Iorque tentando ingressar as suas filhas na melhor creche, o que garantirá que elas vão para a escola primária certa, o que as direcionam para o ensino médio certo e, finalmente, tudo termina em uma universidade de maior prestígio.

Como isso se manifesta? As crianças do ensino médio agora precisam ter uma excelente média de pontos, notas altas no teste de aptidão escolar, recomendações perfeitas, fazer muito voluntariado, de preferência em um país em desenvolvimento, e ser distinguido atleticamente e artisticamente. O resultado: os alunos do ensino médio passam suas horas de vigília fazendo lição de casa, praticando um instrumento musical ou participando de diversas outras atividades para melhorar o currículo.

Os pais estão agora tentando afastar o fracasso dos seus filhos, e isso significa remover obstáculos. E, no processo, eles estão privando as crianças do que elas realmente precisam, escreve McArdle: "a capacidade de aprender com os seus erros, ser derrubado e levantar sozinho".

Existem vários outros exemplos da tendência para garantir que os filhos não enfrentem obstáculos. Você também pode chamar isso de superproteção. É o processo de proteger os filhos de qualquer tipo de dano ou risco.

Vamos encerrar essa seção citando McArdle: “A metáfora para a nossa era é o desaparecimento dos altos trepa-trepas dos parquinhos pelo país. Fizemos com que fosse impossível para as crianças caírem de muito alto – e ao fazer isso, roubamos delas as alegrias de escalar alto”.

Nunca haverá um momento em que você sentirá que é completamente normal fracassar. Há sempre um motivo para não embarcar em uma nova aventura ou tentar construir algo novo. E não fazer isso nunca lhe dará as alegrias de escalar muito alto.

Conclusão

A mensagem de McArdle é clara: não podemos esperar por uma oportunidade que seja perfeitamente segura. Por mais doloroso que seja o fracasso, devemos aceitá-lo – com inteligência – pois o fracasso é a única maneira de realmente aprendermos. Correr riscos permite que vejamos o que funciona e o que não funciona, e pode nos dar a oportunidade de realmente fazer algo novo.

Isso é o básico de The Up Side of Down. Se você gostou do que compartilhamos, dê uma olhada no livro. Ele contém muitas mais histórias e estudos apresentados aqui, incluindo discussões muito interessantes sobre as diferenças das leis de falência entre a América e a Europa, mais discussões sobre crianças e também formas bastante íntimas e embaraçosas que a própria McArdle lidou com fracassos pessoais.

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