Aceite Não como Resposta: Por Que a Rejeição é Algo Bom Para os Negócios

Aceite Não como Resposta: Por Que a Rejeição é Algo Bom Para os Negócios

Rejeição

O fundador do Kit, Michael Perry, anotou o nome de cada investidor que descartou sua ideia. Ele fez isso na parede com caneta permanente. O autor Stephen King, no início de sua carreira, pregou as cartas de rejeição de cada editora acima de sua escrivaninha. Esses rituais serviram como chamativos lembretes diários para continuar seguindo em frente.

Para Michael, a rejeição foi transformada em combustível. Sempre que alguém recusava uma reunião, desacreditava sua ideia, hesitava quanto à sua experiência ou rejeitava uma oferta para trabalhar ao seu lado, ele ficava ainda mais determinado. Sua perseverança valeu a pena quando o Shopify adquiriu o Kit neste ano.

(E quanto ao sr. King? Seu manuscrito para o romance Carrie inspirou essa rejeição antes de vender um milhão de cópias no primeiro ano: “Não estamos interessados em ficções científicas que falem sobre utopias negativas. Elas não vendem”.)

Passe apenas dois minutos com Michael Perry, e você saberá que ele é especial. Um empreendedor nato, se preferir. Ele é otimista, obstinado e cheio de energia. Suspeito que seria difícil falar “não” para ele, mas muitos o fizeram. Mais de 50 investidores ao longo de dois anos, na verdade.

Mesmo para alguém tão resiliente quanto Michael, a rejeição machuca:

“Eu era apenas um jovem trabalhador tentando ganhar a vida no Vale do Silício. Eu não ia deixá-los dizer “você não pertence a este lugar”. Aquilo doeu. Eu realmente gostaria de soar como alguém forte e dizer que não me importava. Mas me lembro de parar na estrada e começar a gritar o mais alto que podia, frustrado.”

Michael Perry Kit

Eu não ia deixá-los dizer “você não pertence a este lugar.

De fato, ser rejeitado dói assim como um chute na canela. Estudos mostram que o cérebro humano responde à rejeição social assim como responde à dor física. Uma equipe da Universidade de Michigan monitorou a liberação de componentes químicos no cérebro durante uma rejeição social simulada. Eles perceberam a mesma resposta dos opioides associada à dor física.

Esse gatilho talvez seja uma remanescência da nossa evolução, explica o dr. Guy Winch, em uma entrevista ao The Mental Illness Happy Hour:

“Quando éramos caçadores-coletores, ser afastado da tribo significava basicamente uma sentença de morte. Não era possível sobreviver sozinho. Portanto, desenvolvemos um antigo mecanismo de alerta, que consiste na rejeição. As pessoas que experimentaram a rejeição de forma mais dolorida possuíam uma vantagem evolutiva, pois corrigiram seu comportamento, não foram afastadas e sobreviveram até passar seus genes adiante.”

No entanto, a rejeição não apenas faz com que nos sintamos mal. Ela é um terreno escorregadio que pode levar à raiva e à depressão, além de temporariamente afetar a autoestima, o QI e a tomada de decisões.

Saiba disto: para um empreendedor, a rejeição é inevitável.

Desde o momento em que cria uma ideia de negócio, você estará dependendo da aceitação de outras pessoas para fazê-la acontecer: investidores, clientes, clientes atacadistas, imprensa, públicos nas redes sociais e influenciadores. Em 2014, apenas 1% do financiamento de startups foi originado de capital de risco, e somente cerca de 3% se deveram ao financiamento coletivo. A incapacidade de obter financiamento bancário foi responsável por 41% das startups fracassadas nesse mesmo ano. Quase conseguimos ouvir aquele “NÃO” coletivo.

Neste post, vamos falar sobre como fazer a rejeição trabalhar para você e seu negócio, além de estratégias de sobrevivência para empreendedores.

O Lado Positivo da Rejeição

A rejeição pode ativar desagradáveis sensores de dor, mas, no final, a experiência pode ser benéfica, caso você consiga aprender a ver o lado bom ou transformá-la em um motivador poderoso.

1. Reafirme seus objetivos: você ainda está entusiasmado pela sua ideia depois de repetidas rejeições dos investidores? Está seguindo em frente na criação do seu negócio, mesmo que ainda precise conseguir alguma venda? Sua resposta lhe ajudará a decidir, segundo Michael, se você deve manter o rumo ou alterá-lo:

“Se você desistir apenas porque foi rejeitado, talvez não deseje isso de forma tão profunda. Ou você decide o destino da sua vida, ou alguém o fará. Se estiver disposto a permitir que outra pessoa tome essa decisão para você após dois, três ou quatro “nãos” (o que não é nada demais), ou você realmente não quer isso, ou isso não é ideal para você.”

2. Valorize as vitórias (independentemente do tamanho delas): no livro Sobre a Escrita, Stephen King explica que, antes de publicar seu romance inicial, seus manuscritos foram vítimas de rejeição após rejeição, enquanto sua família se aproximava da linha da pobreza. As pequenas vitórias – histórias curtas que geraram alguns dólares em revistas – foram muito impactantes e o incentivaram a continuar escrevendo.

“Se você escreveu algo pelo qual alguém lhe enviou um cheque, e você o compensou e ele tinha fundos, e se, então, você pagou a conta de luz com o dinheiro, considero-o talentoso.” – Stephen King

Da mesma forma, as dificuldades permitiram que Michael visse o lado positivo referente ao crescimento lento do Kit:

“Embora eu continuasse sendo rejeitado, fazíamos progresso todos os meses. Eu vendi meu carro, aumentei o limite dos meus cartões de crédito, peguei empréstimos com familiares, minha esposa tinha dois empregos, eu vendia roupas e fazia tudo o que era preciso. Mas meu negócio estava crescendo.”

Embora eu continuasse sendo rejeitado, fazíamos progresso todos os meses.

3. Continue afiado: complacência gera mediocridade. A rejeição nos lembra que possuímos espaço para crescer, além de engajar nosso espírito competitivo e, quando aproveitada, ser capaz de oferecer motivação para persistirmos.

“O ‘fator não’ é um fator de motivação. Todos os dias, precisamos nos provar constantemente. Você está se provando a si mesmo – sempre se lembre disso. No dia em que você acordar e disser ‘cara, já sou bom no piano, sou bom na guitarra, escrevi 50 canções e não preciso escrever mais nenhuma’ será o dia em que você estará acabado... Toda vez que alguém me dizia ‘não’, era sempre uma motivação para o ‘sim’.” – Wyclef Jean, via The #AskGaryVee Podcast

Michael Perry Instagram

4. Nada de amigos falsos: o fundo do poço emocional ou na carreira possui a vantagem de peneirar as pessoas em sua vida – quem são os amigos que realmente apoiam sua jornada empreendedora, mesmo quando você está na pior? “Acredito que o interessante”, afirma Michael, “é que o fracasso e a rejeição são filtros realmente incríveis”.

O fracasso e a rejeição são filtros realmente incríveis.

Como Negociar

No caso de vender sua ideia de negócio para os investidores, mostrar seu lookbook a um novo cliente atacadista ou enviar seu press release para a mídia, é possível trabalhar alguns dos efeitos da rejeição antes que ela ocorra.

Primeiramente, aperfeiçoe seu discurso de venda. Ao abordar investidores ou a imprensa, conheça seu público e faça sua lição de casa. “Não é você, sou eu” é uma resposta mais fácil de ser digerida quando você consegue apresentar seu melhor.

Em seguida, pergunte a si mesmo sobre a probabilidade de rejeição em cada um dos casos. Quais as chances de obter financiamento ou cobertura da imprensa? Prepare-se – equilibre a confiança no seu negócio com uma compreensão realista dos resultados potenciais.

Então, você foi rejeitado. E agora?

1. Sem dor, sem ganho: reformule a rejeição. Um dos e-mails de resposta enviados a Michael dizia que “os apps de mensagens estão mortos”. “Eu sabia que eles estavam errados”, ele afirma. “Agora, quero imprimir, emoldurar e colocá-lo no escritório”. Os alertas visuais da dor da rejeição podem servir como motivadores.

“Quando eu tinha quatorze anos, o prego na minha parede não mais suportava o peso das folhas de rejeição afixadas nele. Eu substituí o prego por uma estaca e continuei escrevendo.” – Stephen King, via Sobre a Escrita: A Arte em Memórias

2. Aprenda com isso: por que você foi rejeitado? Um simples “não” como resposta é um convite para voltar à mesa de projeto. Foi seu discurso de venda? Você está divulgando seus produtos ao público errado? Leia cada carta de rejeição, cada e-mail ou avaliação negativa dos clientes, e encontre as críticas construtivas.

“Logo no começo, eu tentava recalibrar as coisas, pois queria muito que eles investissem em mim. Isso foi um erro enorme. No final das contas, você precisa acreditar em mim. Acha que eu consigo vencer a disputa? Sim ou não? É isso que acontece. Em vez de tentar esconder as coisas, hoje eu as aceito. Eu digo isto: ‘Você está certo: eu não frequentei uma escola de negócios e não nasci em berço de ouro, mas quer saber? Tenho uma ótima ética de trabalho. Sou muito dedicado’. Acho que as pessoas tentam tanto se encaixar em um formato definido que acabam perdendo sua própria identidade. Aprendi que é preciso ser autêntico.” – Michael Perry

No final das contas, você precisa acreditar em mim. Acha que eu consigo vencer a disputa? Sim ou não? É isso que acontece.

3. Invista no seu bem-estar: como a rejeição pode ativar respostas emocionais mais sérias, cuidar do bem-estar é muito importante. Como sugerimos no caso de solidão e procrastinação, os exercícios podem oferecer benefícios além da questão física, e a meditação de consciência plena pode ajudar a melhorar sua comunicação consigo mesmo.

Experimente fazer afirmações diárias, afirma a metafísica Elaine Dundon. Em seu TEDx talk intitulado “Rejeite a Rejeição”, ela sugere um novo mantra para lidarmos com a rejeição: “refletir, recomeçar, rejeitar”. Refletir oferece insights e aprendizados; recomeçar é uma chance para fazermos algo novamente; e rejeitar se refere aos sentimentos causados pela rejeição, bem como a importância de nos livrarmos deles.

“O mercado – o mundo – me dizia que eu não era bom, e todo o meu interior me dizia que eu seria bom. Não creio que você possa vencer se não amar a si mesmo primeiramente.”Gary Vaynerchuk, The #AskGaryVee Podcast

4. Não piore as coisas: o conselho parece óbvio, mas trata-se de uma reação humana bastante comum, segundo o dr. Winch, autor de Como Curar Suas Feridas Emocionais:

“Você jamais torceria sua perna e decidiria sair para correr uma maratona e garantir que ela se quebrasse. Porém, psicologicamente, fazemos isso a todo momento. Nós nos machucamos e pioramos o ferimento.”

A lojista do Shopify Adrienne Butikofer, da Skinny Sweats, compreende muito bem esse padrão. “Você entra num período fraco por alguns dias, sem nenhuma venda”, ela afirma, “e pensa: ‘meu Deus, o que estou fazendo com a minha vida?’”

5. Lembre-se de que você possui o apoio de outras pessoas: o dr. Winch sugere, quando ocorrer a rejeição, que você se cerque de pessoas que realmente o apoiem:

“Vamos lembrá-lo das pessoas que o valorizam e amam, que gostam de você e que o acham divertido. Restabeleça isso imediatamente. O mais rápido possível. Isso é algo muito importante a se fazer, em termos de rejeição.”

6. Passe a ser mais obstinado: a frase “a prática leva à perfeição” também se aplica ao sermos rejeitados. “Comecei a vender carros quando era muito jovem”, Michael conta para mim. “Você lida com muitas rejeições quando vende carros. Você auxilia quinhentos clientes por mês, mas talvez venda dez ou quinze carros. Eu estava acostumado a receber muitos ‘nãos’.”

A lojista do Shopify Rachel Thompson aproveitou sua carreira anterior para ajudá-la a lidar com a rejeição ao fundar a Hampton’s Glow:

“Vender websites de porta em porta foi basicamente uma das coisas mais assustadoras que fiz na época em que eu era muito tímida. Passar por essa experiência me tornou corajosa para fazer cold calling e seguir para o próximo cliente após uma rejeição. Ela também me ajudou na questão do fornecimento das embalagens. Muitos fornecedores não querem trabalhar com pequenas quantidades, por isso, ouvi inúmeros ‘nãos’ antes de encontrar alguém que trabalhasse comigo. Eu jamais fiquei desmotivada e nunca pensei que ‘não podia fazer isso acontecer’ – apenas continuei persistindo.”

7. Não rejeite a si mesmo: lembre-se de que, conforme persegue seu sonho, a opinião mais importante é a sua própria. “Você não pode ser rejeitado se não rejeitar a si próprio”, afirma Mastin Kipp, empreendedor e autor do Daily Love.

Por fim, até mesmo os empreendedores mais bem-sucedidos vivenciaram a dor da rejeição. Porém, aqueles que se recusam a receber um “não” como resposta eventualmente não mais precisarão recebê-lo.

Leitura e Recursos Adicionais

“Se você estiver criando uma empresa de softwares ou for um artista, músico, ator ou alguém que deseja inaugurar uma loja de cupcakes (independentemente do que for), empreendedores de verdade fecham seus olhos e visualizam o mundo que desejam. Eles são as pessoas que criarão esse mundo a qualquer custo, de forma intransigente. São aqueles que não têm problemas com o fato de que ouvirão muitos ‘nãos’ antes de ouvir alguns ‘sins’.” – Michael Perry, do Kit

Empreendedores de verdade fecham seus olhos e visualizam o mundo que desejam. Eles são as pessoas que criarão esse mundo a qualquer custo, de forma intransigente.

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Sobre a autora

Dayna Winter é storyteller no Shopify. Ela segue mais cães que pessoas no Instagram, e não é ruiva natural.

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1 comentários

  • carlucio
    carlucio
    November 06 2016, 01:07AM

    Desejo receber atualização.

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