BufferBox: De “Lean Startup” a Aquisição do Google

BufferBox: De “Lean Startup” a Aquisição do Google

Bufferbox

As empresas e empreendedores sempre se deparam com esta questão: “se eu construir isso, as pessoas virão?”

Como chegar a uma resposta?

É complicado, principalmente quando você está apenas começando (com pouco dinheiro e ainda menos tempo).

Esta é a história sobre como uma startup respondeu essa questão ao se transformar de um projeto universitário a uma aquisição de 25 milhões de dólares pelo Google – em apenas 18 meses.

Nesta breve edição do TGIM, você irá...

  • Saber como a BufferBox passou de uma ideia de produto para um negócio de sucesso.
  • Entender o conceito de “Lean Startups”, e como você pode empregar os princípios dele.
  • Descobrir o valor de conhecer seus clientes durante o caminho.

Confira a entrevista completa abaixo:

 

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Transcrição:

Locutor: As empresas e empreendedores sempre se deparam com esta questão: “se eu construir isso, as pessoas virão?” Como chegar a uma resposta, principalmente quando você está apenas começando, com pouco dinheiro e ainda menos tempo? Essa foi a questão fundamental para alguns universitários recém-formados que possuíam o que acreditavam ser uma ótima ideia. Esta é a história sobre como eles encontraram a resposta.

Mike: Como fazemos para provar que as pessoas querem isso? Que pagarão por isso?

Locutor: Esse é Mike McCauly, cofundador da BufferBox, um quiosque que tem como objetivo solucionar o problema de entregas perdidas de produtos.

Mike: Toda a premissa era de que vemos cada vez mais pessoas comprando coisas online. Conforme elas investem mais tempo nisso, haverá cada vez mais problemas com as entregas.

Locutor: Sabe aqueles avisos pendurados na porta pelo carteiro, informando que sua nova aquisição estava aqui, mas agora está do outro lado da cidade, atrás de um balcão que funciona nas horas mais obscuras? Sim, Mike também odeia isso.

Mike: Se fosse possível remover essa barreira como parte da experiência de compra online, acredito que poderíamos acelerar ainda mais o e-commerce. E, mais importante, nos tornar parte importante da rede de infraestrutura que produziria o futuro do e-commerce. Foi aí que a BufferBox nasceu.

Locutor: Eles tinham sua própria ideia, e ela era ótima. Tão boa que, apenas 18 meses depois do seu lançamento, a empresa foi adquirida pelo Google. Vamos falar disso, mas, antes, como sair de uma ideia, chegar em um produto desejado e terminar em um negócio de sucesso? A equipe da BufferBox era toda composta por universitários recém-graduados, sendo que alguns deles ainda moravam nos porões das casas de seus pais e não possuíam quase nenhum dinheiro para transformar essa ideia na solução global que sonhavam.

Mike: Pensávamos o seguinte: muito bem, temos esse produto, o qual acreditamos que funcionará muito bem, mas não sabemos se as pessoas o desejam ou se pagarão por ele. Como passaríamos da ideia de possuir esse produto até realmente conseguirmos saber se deveríamos investir na criação de mais unidades e na formação de parcerias para levá-los às lojas físicas, sendo que todo esse trabalho e dinheiro investido seria feito sem sabermos se as pessoas realmente utilizariam o produto ou pagariam por ele?

Locutor: Como vocês resolveram esse problema? Uma solução é construir uma base de seguidores, isto é, milhões de seguidores, mas a abordagem que a BufferBox utilizou é chamada de “Lean Startup”. Tenho certeza de que vocês já ouviram falar nisso antes. Trata-se de um termo popularizado pelo livro homônimo de Eric Reese. Ela basicamente tem a ver com criar seu produto da forma mais rápida e econômica possível, no objetivo de levá-lo ao mercado e colocá-lo à frente dos clientes.

Marilyn: O conceito de “Lean Startups” começa pela ideia de se fazer duas perguntas essenciais. Devemos comprar esse novo produto ou serviço? Em seguida, como aumentamos nossas chances de sucesso?

Locutor: Essa é Marilyn Gorman.

Marilyn: Sou uma das orientadoras de empresas Lean Startup.

Locutor: Marilyn dedicou os últimos 5 anos de sua vida para compreender o que faz as Lean Startups funcionarem, além de treinar empresas ao redor do mundo para adotar seus princípios. Os problemas enfrentados por Mike e os outros cofundadores, bem como as perguntas que ele fazia, são bastante comuns no mundo das startups. Eu devo perseguir tal ideia? A Lean Startup tem como objetivo resolver esses problemas de forma metódica e rápida.

Anne: O que é atraente sobre a Lean Startup é que ela lhe permite prosseguir com rapidez e construir o teste mais acessível possível, de modo a ficar à frente dos clientes com rapidez – e aprender com essa experiência.

Locutor: Essa ideia também atraiu a BufferBox. Lembre-se de que, nessa época, eles não tinham financiamento. Tratava-se de uma ideia num pedaço de papel e um protótipo simplesmente muito caro e complexo para ser reproduzido. Para provar que a ideia deles tinha mais peso do que o papel no qual ela estava escrita, eles decidiram optar pela abordagem “lean” e construir a versão mais econômica que fosse possível.

Mike: Vamos lançar um website e não teremos sequer um quiosque ou uma BufferBox. Vamos falar para as pessoas nos enviarem seus pacotes. Vamos enviar um e-mail para elas e literalmente dizer: Olá, Joe, estamos com seu pacote. Informe um local no campus e um horário que seja bom, e nós iremos encontrá-lo”.

Locutor: Então, eles encontrariam alguém no campus. Mike usava um moletom verde e, às vezes, patins. Joe, Jen ou Josh aguardavam ao lado de uma estante de livros no centro estudantil. Essa não era a empresa de tecnologia que eles sonhavam em criar, mas era uma etapa crucial durante o caminho.

Mike: Isso nos permitiu conversar com os clientes pessoalmente, tirar dúvidas importantes sobre o produto, onde deveríamos colocar a BufferBox, caso fôssemos colocá-la no campus, bem como os melhores locais. Por que vocês fazem uso dela? O que não gostam nela? O quanto pagariam por ela? Tudo aquilo que pode ser difícil de se conversar com os clientes, ou apenas obter respostas de pessoas que realmente pagariam por aquilo. Não há forma melhor de se fazer isso.

Locutor: As informações que a BufferBox estava reunindo eram muito valiosas. O processo começou a ficar cansativo e frustrante.

Mike: Eu me lembro claramente de um momento em que pensei comigo mesmo: “Meus pais acabaram de me ajudar na minha graduação de engenharia. Tenho esse ótimo diploma. Além disso, recusei um emprego na Califórnia para perseguir esse sonho, e aqui estou eu, pedindo para que as pessoas nos paguem 3 dólares por pacote, entregando cada um deles pessoalmente. Era totalmente impossível de expandir isso.”

Locutor: Em última instância, o objetivo dessa abordagem de Lean Startup, da realização desse trabalho tosco e ingrato, é alcançar um ponto de decisão: pivotar ou perseverar.

Anne: Devemos tomar uma decisão com base nas métricas obtidas, para seguir na direção atual, ou mantemos nossa visão de sucesso e mudamos para uma solução diferente? Ou, ainda (e essa pode ser a mais difícil), acabamos de vez com o projeto?

Locutor: A BufferBox era escalável. A informação que eles estavam reunindo era muito importante, não apenas para ajudá-los a identificar quais serviços os clientes desejavam, mas também para ajudá-los a convencer os investidores de que esse serviço tosco que eles criaram realmente possuía uma base de usuários. Eles começaram a imaginar como seria com um quiosque de verdade, que fosse muito mais conveniente.

Mike: Então, criamos o quiosque. Mais pessoas começaram a utilizá-lo, pois aquelas que não quiseram utilizar no início viram que era algo mais legítimo.

Locutor: A BufferBox agora tinha um produto real e uma validação real do conceito. Eles começaram a fazer pitchs para investidores e ampliar seus serviços pelo país. Por capricho – no último minuto, na verdade –, a BufferBox decidiu se candidatar à Y Combinator, em San Francisco. Trata-se de uma incubadora de tecnologia renomada e altamente competitiva. Em seguida, eles começaram a implementar caixas da BufferBox em restaurantes 7/11, estações de trem, paradas de metrô, universidades e cafeterias.

Mike: Nós éramos loucos. Estávamos tentando investir muito dinheiro para implementar quiosques físicos que custariam muita grana para ser feitos. Isso estava polarizando a opinião dos investidores. Eles adoravam ou odiavam. E diziam: “Eu tenho um medo do [bip] disso”. Ou afirmavam: “Isso é incrível. Quero participar, pois, se der certo, será enorme”.

Locutor: Esse pressentimento de uma boa ideia, aliado a testes com clientes e muito trabalho duro, levou a BufferBox a ser adquirida pelo Google. De acordo com a TechCrunch, o valor ficou acima de 25 milhões de dólares. No entanto, o Google recentemente decidiu deixar de operar a BufferBox como um serviço à parte. Em vez disso, eles integraram a equipe e tudo o que aprenderam com o lançamento da BufferBox à experiência de compra do Google. Isso dito, ideias semelhantes surgiram em todos os lugares, e você pode conferir “primos” da BufferBox no Walmart, em rodoviárias e em diversos restaurantes 7/11 por todo os Estados Unidos. Para os empreendedores que estão por aí, a história de Mike e seu eventual sucesso nos ensina a não desejar ser enormes, mas enxutos. Se a sua ideia tiver mercado, ela será comprovada por meio da disposição dos clientes de encontrar você no meio do caminho. Assim como os clientes de Mike literalmente o encontraram no campus para receber seus pacotes, seus clientes estarão dispostos a se esforçar somente, e caso somente, se você possuir algo que eles realmente queiram.

Sobre o TGIM: o TGIM é um podcast voltado às pessoas que não veem a hora da semana começar. Em cada episódio, nós traremos histórias inspiradoras de empreendedores que superaram obstáculos, construíram empresas incríveis e agora estão vivendo a vida que sonhavam.

Sobre o autor

Jordan Simas é escritor do Shopify, maluco por banquetes de sushi e apaixonado por efeitos sonoros de sintetizadores.

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