A febre dos hand spinners: uma lição de marketing viral

A febre dos hand spinners: uma lição de marketing viral

fidget spinners and viral marketing

Todo mundo sabe que os hand spinners, fidget spinners ou simplesmente spinners são uma tendência viral – e que tomaram a Internet de supetão.

Inicialmente uma ferramenta projetada para ajudar crianças com autismo ou com problemas de concentração a canalizarem o estresse, esses pequenos brinquedos se tornaram muito populares nas escolas norte-americanas. E depois que os hand spinners tocaram as mãos dos adultos, suas vendas dispararam; hoje, o mercado já conta com diversos modelos, e não há como negar a popularidade desse pequeno brinquedo.

A febre dos spinners também é responsável por mais de cinco milhões de vídeos no Youtube, além de gerar 110 mil pesquisas no Google – isso em apenas um mês. Sabemos que esses números são impressionantes, e é por isso mesmo que vamos analisar essa mania mais a fundo.

Se você está por fora dessa febre, nós explicamos: os hand spinners são pequenos instrumentos feitos de metal ou plástico com um local para os dedos no meio. Depois de atingirem uma determinada velocidade de rotação, eles a mantêm por diversos minutos. Veja abaixo:

via GIPHY

Simples, não? No entanto, não podemos dizer o mesmo sobre os motivos que explicam a sua inesperada popularidade.

Não importa se você ainda não faz parte dessa febre ou se já é um adepto dos fidget spinners; a verdade é que esses pequenos brinquedos são um excelente estudo de caso para analisarmos como um produto se torna viral – e como as marcas podem explorar o marketing viral para conquistarem um número maior de clientes.

No entanto, antes disso é importante entender o papel da Internet nesse processo. 


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O novo ciclo de notícias

Na época em que os telejornais e os jornais impressos eram os únicos veículos de informação, o ciclo de notícias era marcado por intervalos de 24 horas: ou seja, os eventos ocorridos no dia anterior eram transmitidos no dia seguinte, e assim por diante.

Assim que um evento estourava no mundo, os jornais e telejornais travavam uma batalha para decidir quem poderia cobrir o acontecimento durante as próximas 24 horas – depois desse intervalo de tempo, as notícias deixavam de ser novidades e perdiam seu valor.

E assim funcionou o sistema até o advento das redes sociais. Hoje, o ritmo do ciclo de notícias está mais acelerado – e, em alguns casos, prolongado. Afinal, uma publicação no Twitter é mais veloz do que uma postagem de blog; e, no momento em que um blog publica uma notícia, a prensa do jornal de papel ainda nem começou a ser operada.

No mundo digital que habitamos, deixamos de ser consumidores passivos; hoje, somos participantes ativos.

Atualmente, os comentários e compartilhamentos de paródias publicadas no Youtube passaram a fazer parte do ciclo de notícias de um evento viral. Além disso, todos nós já vimos os veículos mais tradicionais de notícias reproduzirem a mensagem de um tweet; e quem nunca usou um meme da Internet para começar uma conversa ou espalhar uma notícia?

No mundo atual, a mídia tradicional inspira as redes sociais – e vice-versa.

Atualmente, o que acontece é que assim que a mídia tradicional percebe uma nova tendência, ela começa a fabricar histórias e notícias – educando o mercado e influenciando as opiniões dos futuros clientes.

No caso dos fidget spinners, as manchetes brasileiras ajudaram a perpetuar a ideia de que os brinquedos são uma nova febre voltada para crianças (que também têm atraído adultos):

Mas uma tendência viral não consegue sobreviver só de manchetes; ela também precisa ser construída na forma de ideia ou tópico com o qual os usuários possam interagir. Quando comentamos sobre um produto, compartilhamos vídeos e imagens a ele relacionados e criamos nossas próprias versões, expandindo assim o seu ciclo de notícias.

E os hand spinners conseguiram fazer exatamente isso: inspirar não só conteúdo, mas discussões variadas.

Memes como o acima são um exemplo vivo da memética em ação – uma teoria que explica como ideias e comportamentos são imitados e replicados para atingirem um número cada vez maior de pessoas. Essa teoria pode ser muito útil ao analisarmos as diversas modalidades de viralidade, desde o planking até o desafio do balde de gelo e o meme mais tradicional, criado e visualizado por inúmeros usuários da Internet.

É justamente essa parte interativa do ciclo de notícias a responsável por criar o viral loop, recurso necessário para que algo como os spinners se tornem tão assustadoramente populares.

A criação de um “viral loop”

Antes de tudo, é importante lembrar que o crescimento viral só é possível por meio do chamado “viral loop”.

Ele funciona da seguinte maneira:

  1. Uma pessoa é exposta a uma ideia.
  2. Essa ideia provoca uma reação na pessoa (etapa essencial).
  3. A pessoa (de maneira consciente ou não) ajuda a disseminar a ideia.
  4. Um número maior de pessoas é exposto a essa mesma ideia.
  5. Cada uma dessas pessoas poderá reagir à ideia e ajudar a disseminá-la.
  6. O processo se repete.

fidget spinner virality

As etapas acima ilustram bem o crescimento exponencial do processo; ele realmente faz jus ao nome “viral”, pois se espalha como um vírus. No entanto, é importante destacar que as ideias só serão transmitidas se conseguirem gerar uma reação nas pessoas.

Se uma ideia for forte o suficiente para inspirar pessoas, ela conseguirá atingir até mesmo aqueles que estavam reticentes no início. Nesse sentido, o movimento de disseminação é bastante similar àquele apresentado na Curva de Adoção de Inovação. Esse modelo, criado pelo sociólogo Everett Rogers, explica como tecnologias e produtos inovadores precisam de clientes fieis logo de início para que consigam entrar no mercado.

E a febre dos fidget spinners acertou nesse ponto, uma vez que alimentou vários comportamentos que têm como objetivo disseminar tanto a ideia como o produto:

  • Marcar amigos em publicações no Facebook;
  • Compartilhar opiniões sobre os hand spinners nas redes sociais;
  • Incentivar a criação de conteúdos como o deste post;
  • Disseminar os memes que fazem piada com o produto;
  • Polarizar as opiniões das pessoas, fazendo com que elas compartilhem suas posições com outros.
  • Conversar sobre os hand spinners fora da esfera virtual, no velho boca-a-boca.

Quando combinados, os fatores acima se tornam os responsáveis pelo crescimento exponencial dos spinners. 

Como reconhecer os primeiros sinais de uma nova tendência

Quando se trata de reconhecer e adotar uma tendência viral, o timing é essencial.

É comum que, ao encontrarem uma nova ideia ou produto interessante, a maioria das pessoas faça uma pesquisa sobre ele no Google. Quanto maior for o interesse por um tópico, maior será o número de pesquisas do Google sobre ele – um bom indicativo do status e da vida útil de uma tendência.

Dê uma olhada nesse gráfico do Google Trends, no qual há uma espécie de linha do tempo registrando o crescimento da febre dos hand spinners.

Hand spinner Shopify

Não se esqueça de que o Reddit também é uma grande incubadora para tendências virais. Se você não é fã da plataforma, tente ao menos se familiarizar com ela; afinal, ela é o ponto de partida de várias ideias virais – e é lá que você poderá encontrar os primeiros sinais de uma nova tendência.

Se você é um empreendedor e leitor fiel do nosso blog, sabe que o Reddit tem um potencial incrível para influenciar vendas e determinar novas tendências.

Fique atento ao modo como pessoas e empresas reagem a um produto. Quanto mais polarizadas forem as suas opiniões, maiores serão as chances desse produto decolar.

As tendências virais são úteis para empreendedores?

Para descobrir a resposta, recomendamos que você use todas as dicas deste post e tente criar a sua própria ideia viral; se isso for demais para você, entre na onda de uma tendência que já se tornou viral e tente lucrar com isso. Veja a seguir algumas ideias e exemplos inspirados pela febre dos fidget spinners.

Está na hora de vender produtos virais

É difícil dizer se um produto continuará popular ou não depois que aquela febre inicial começar a perder força. No entanto, durante o auge da tendência, há uma demanda altíssima pelo produto.

Mas a coisa não é tão simples assim. No caso do fidget spinner, que pode ser comercializado tanto como um dispositivo para reduzir o estresse e a ansiedade quanto como um brinquedo para passar o tempo, há variações inusitadas no mercado: spinners de luxo, que custam centenas de reais, hand spinners de LED e até mesmo alguns com conexão bluetooth.

Se você tem planos de vender esse pequeno e rentável produto, pode abrir uma loja especializada ou então incorporá-los ao seu catálogo de produtos – de qualquer maneira, você lucrará com a febre do momento.

Alguns empreendedores também tentam tirar proveito de eventos ou acontecimentos virais para tentar monetizar em cima dos memes – coisa que os brasileiros sabem fazer bem.

Use as tendências virtuais para chamar atenção no mundo real

Uma das grandes dificuldades das lojas virtuais é chamar a atenção do grande público. Nesse sentido, os banners físicos e outras propagandas são extremamente úteis – e, em se tratando de uma tendência viral, certamente chamarão a atenção dos transeuntes.

Veja por exemplo o cartaz abaixo, que encontrei enquanto voltava para casa. A oferta de fidget spinners foi uma ótima maneira de chamar a atenção das pessoas que passavam por ali, uma vez que está fazendo sucesso da Internet (afinal, eu até tirei uma foto da propaganda!).

Crie conteúdos criativos para a tendência

Se você quer capitalizar com uma tendência viral ou impulsionar o seu próprio viral loop para atingir um público maior, não há caminho mais simples e acessível do que a criação de conteúdos.

Um exemplo gritante disso é o vídeo abaixo, criado pelo Manual do Mundo para ensinar a fazer os hand spinners. O vídeo já atingiu quase 5,5 milhões de visualizações com menos de um mês de existência  – tudo isso porque fala sobre a febre dos hand spinners. 

Hand Spinner ShopifyCrie um viral loop para os novos clientes

Como já foi dito, os hand spinners se tornaram populares porque conseguiram evocar uma reação das pessoas, fazendo com que essas incentivassem os demais a conhecerem o produto.

A criação de um processo de marketing do tipo viral loop, no qual cada novo cliente é responsável por trazer outros possíveis clientes, é uma prática de marketing viral muito comum em diversas empresas.

A Uber e o Dropbox, por exemplo, oferecem alguns incentivos (como crédito para viagens e maior espaço de armazenamento, respectivamente) se os seus usuários recomendarem o serviço para outras pessoas. As empresas de E-commerce também podem aderir a essa prática, usando brindes e sorteios na geração do viral loop necessário para um crescimento exponencial.

Acompanhando a febre

Não se esqueça que as tendências virais eventualmente perdem força – e isso também vale para a febre dos spinners. No entanto, sempre há uma nova mania logo ali na esquina.

Inspire-se com o fenômeno do fidget spinner e tente incorporar algumas das nossas dicas à sua ideia empresarial ou estratégia de marketing; além disso, lembre-se de criar viral loops ou de se alinhar aos ciclos de notícia, pois tudo isso ajudará você a atingir um número maior de clientes.

Uma tendência só é viral se o mundo reagir a ela; no entanto, se você conseguir entender o movimento de disseminação dessas tendências no mundo virtual, poderá tirar o máximo de proveito dessas novas ondas – ou até mesmo criar uma própria.


Which method is right for you?Sobre a autora

Gabriela Jungblut é editora-chefe do blog da Shopify em português, gestora de marketing de conteúdo para o mercado brasileiro, tradutora e intérprete de conferências.

Post original em inglês: Braveen Kumar

Tradução e localização: Marcela Lanius

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