Blogs da Shopify

Como o algoritmo do YouTube pode impactar o seu canal

how the youtube algorithm works

O algoritmo do YouTube é visto por centenas de YouTubers de sucesso (e até mesmo por marcas que utilizam a plataforma) como um elemento absolutamente misterioso: um poder supremo que controla o número de visualizações dos vídeos no YouTube e não pode ser controlado.

Em outras palavras, até mesmo aqueles que usam o YouTube como uma plataforma para a monetização de conteúdos acreditam que é impossível entender o funcionamento do algoritmo, guardado a sete chaves dentro da sede do YouTube.

Só que não é bem assim.

Em 2016, três engenheiros do Google publicaram um artigo no qual comentam a ferramenta de recomendação do YouTube e de que forma ela pode ser usada para gerar uma experiência de usuário de qualidade.

Ainda que não tenha atraído muita atenção quando foi publicado, o artigo tornou-se especialmente relevante para o YouTube e o modo como interagimos com a plataforma – especialmente porque, hoje em dia, 70% das visualizações de vídeo são geradas a partir do mecanismo de recomendação.

É verdade que grande parte da discussão sobre como aumentar o número de visualizações dos vídeos no YouTube está centrada nas estratégias de SEO, na publicidade em redes sociais e em recursos para conquistar mais assinantes. O problema é que, por mais que sejam extremamente úteis no processo de descoberta dos vídeos, os resultados não chegam nem aos pés daqueles que vemos com o mecanismo de recomendação do YouTube, que atua sobretudo na página inicial da plataforma e nas sugestões de novos vídeos.

Se o seu objetivo é conquistar mais visualizações para monetizar os seus conteúdos de vídeo, está na hora de saber um pouquinho mais sobre como funciona o algoritmo do YouTube – e o que ele pode fazer por você.

Como funciona o algoritmo do YouTube?

No artigo que mencionamos neste post de blog, os engenheiros Paul Covington, Jay Adams e Emre Sargin indicam os fatores que utilizam para ranquear vídeos que, eventualmente, serão analisados pelo algoritmo do YouTube:

  1. Taxa de click-through (esta taxa mede a probabilidade de que o usuário clique no vídeo depois de assisti-lo);
  2. Tempo de visualização (o tempo total de visualização dos seus vídeos);
  3. O número de vídeos que o usuário assistiu no seu canal;
  4. Se a última visualização do usuário é recente ou não;
  5. Os registros de busca do usuário;
  6. Os últimos vídeos assistidos;
  7. As informações demográficas e a localização geográfica do usuário.

É importante lembrar que, desses sete elementos, você pode influenciar diretamente apenas os três primeiros; os outros quatro dependem de fatores externos ao seu canal.

Covington, Adams e Sargin indicam também que o objetivo final do ranqueamento é, muitas vezes, “uma conta simples entre o tempo de visualização estimado e o número de impressões. Muitas vezes, a taxa de click-through acaba mostrando vídeos que o usuário não assistiu até o fim (os chamados ‘clickbait’). O mesmo não acontece com o tempo de visualização, que representa o envolvimento do usuário com o vídeo”.

Atenção! Isso não significa que o YouTube penalizará os canais que otimizarem conteúdos para a taxa de click-through!

Na verdade, o que o YouTube tem feito é penalizar as táticas de bait-and-switch: anúncios e conteúdos que prometem coisas incríveis, mas publicam conteúdos decepcionantes. A taxa de click-through, no entanto, continua tão importante como sempre foi afinal, não dá para gerar um bom tempo de visualização de vídeos sem antes conseguir com que os usuários acessem esses vídeos.

O novo painel do Estúdio de Criação pode ser um aliado poderoso para YouTubers que estão preocupados em otimizar seus conteúdos. Na aba “Alcance” da guia “Estatísticas”, por exemplo, é possível identificar as seguintes métricas que, juntas, ilustram a nova ênfase do YouTube na taxa de click-through e também no tempo de visualização: 

  • Impressões e como elas influenciaram o tempo de visualização: o número de vezes nas quais as suas miniaturas de vídeo foram exibidas como vídeos recomendados, seja na página inicial do usuário ou então nos resultados de busca;
  • Tipos de origem de tráfego: onde e como as suas miniaturas de vídeo foram exibidas para assinantes em potencial;
  • Origem do tráfego: externa;
  • Origem do tráfego: playlists;
  • Origem do tráfego: vídeos sugeridos;
  • Origem do tráfego: pesquisa do YouTube.

Vale lembrar ainda que é possível filtrar cada uma dessas métricas por “impressões”, “taxa de cliques de impressões”, “visualizações”, “duração média da visualização” e “tempo de exibição (minutos)”.

Repensando o “clickbait”: a relação entre o click-through e o tempo de visualização

Você provavelmente já deve ter visto algum artigo que fala sobre a verdadeira guerra que o YouTube vem travando contra os vídeos de clickbait: miniaturas com imagens e frases enganosas, que tentam burlar o funcionamento do algoritmo.

O resultado? O elemento mais importante para determinar a qualidade do vídeo passou a ser o tempo de visualização, o que levou centenas de YouTubers a abandonarem as táticas que usaram durante tanto tempo para conquistar seus assinantes e seguidores.

Só que isso também não funcionou.

Em uma sessão de perguntas e respostas sobre o algoritmo do YouTube, um dos engenheiros do Google que mencionamos anteriormente admitiu que o combate ao clickbait:

(...) é um processo muito difícil, porque também precisamos combater os vídeos de conteúdo abusivo. O problema é que, se otimizarmos os conteúdos para a taxa de click-through, vamos acabar com vídeos de clickbait; se otimizarmos os conteúdos para o tempo de visualização, só teremos vídeos incrivelmente longos.

O que acontece, então, é o seguinte: se um vídeo apresenta uma alta taxa de click-through, mas gera um tempo visualização relativamente baixo, ele certamente é um clickbait. Mas, se um conteúdo for instigante a ponto de fazer com que os usuários cliquem na miniatura e assistam o vídeo inteiro, maravilha: aos olhos do YouTube, este é o cenário ideal.

Se você quiser aumentar as visualizações dos seus vídeos no YouTube para poder investir numa boa estratégia de monetização, a primeira coisa a fazer é otimizar o seu canal (e os seus vídeos) para a taxa de click-through e também para o tempo de visualização.

Como conseguir mais visualizações com o mecanismo de recomendações

1. Seja consistente: escolha uma premissa ou um formato padrão para o seu canal

A maioria dos bons canais do YouTube pode ser descrita em poucas palavras:

É sempre bom lembrar que muitos canais do YouTube enfrentam dificuldades na hora de conquistar mais assinantes porque usam a plataforma não como um espaço para publicar vídeos consistentes e interessantes, mas sim para publicar todo e qualquer conteúdo de vídeo sem nenhum tipo de curadoria.

Ser consistente é o primeiro passo para construir um canal de sucesso no YouTube. Sem um conteúdo e uma apresentação coerentes, será mais difícil transformar os usuários em assinantes.

Os canais do YouTube com uma identidade consistente incentivam os usuários a assistirem o canal. Isso significa que esses YouTubers conseguem ampliar, com mais facilidade, o alcance da marca e o número de seguidores.

O Dulce Delight é um exemplo concreto disso. Com uma temática consistente (receitas gastronômicas), miniaturas similares e títulos descontraídos, o conteúdo da Raiza é um deleite para os olhos e para os estômagos!

Se você quiser criar conteúdos diferentes, voltados para outro público-alvo, pode ser uma boa ideia criar um outro canal. Dessa forma, você evita o risco de ter usuários perdidos e confusos. O Porta dos Fundos, por exemplo, está conectado a seis outros canais diferentes, que representam projetos paralelos dos atores e roteiristas envolvidos no canal.

2. Alimente o mecanismo de recomendações com outros canais

Um canal com pouco tempo de vida e um número ainda pequeno de seguidores não pode contar apenas com o mecanismo de recomendações para conquistar mais visualizações e ganhar dinheiro no YouTube.

Vale lembrar, afinal, que as recomendações são geradas com base no histórico de visualizações do usuário e de acordo com outros conteúdos com os quais eles tenham interagido. Isso significa que, para que o mecanismo de recomendações funcione, o YouTube precisa primeiro saber quem está assistindo os seus vídeos.

Para conquistar mais assinantes, você não só pode como deve recorrer aos esforços mais tradicionais, como por exemplo:

  • Enviar novos vídeos (ou uma notificação de novo vídeo) pela lista de e-mails;
  • Firmar parcerias com canais de divulgação e/ou com influenciadores;
  • Anunciar os seus conteúdos em vídeo nas redes sociais.

As estratégias acima são importantes, mas não são tão importantes quanto a tática que listamos lá em cima: uma boa implementação de SEO.

Lembre-se: o seu foco, afinal, não é apenas o de atingir mais visualizações de vídeo no YouTube, mas também ajudar o algoritmo a gerar recomendações mais personalizadas, que incluam o seu canal. Como o algoritmo trabalha de acordo com o tipo de conteúdo que o usuário assiste, você precisa criar conteúdos que sejam otimizados para isso.

Covington, Adams e Sargin observam no artigo que:

(...) os sinais mais importantes são aqueles que descrevem o tipo de interação com o vídeo e com outros conteúdos similares. Consideremos, por exemplo, o histórico do usuário com o canal em questão: quantos vídeos desse canal o usuário já assistiu? Quando foi a última vez que o usuário assistiu um vídeo sobre esse tópico?

Se você conseguir fazer com que um novo usuário assista outros conteúdos do seu canal depois de ter assistido um vídeo inteiro, você potencializa as chances de que os seus vídeos no YouTube sejam recomendados para esse usuário da próxima vez que ele usar a plataforma. 

3. Crie miniaturas instigantes e cativantes

Bom, nós já determinamos que a taxa de click-through ainda é extremamente importante e que as medidas recentes do YouTube sobre a priorização do tempo de visualização são apenas medidas para combater clickbaits de baixa qualidade.

Agora, então, está na hora de falarmos sobre o elefante na sala: como otimizar a taxa de click-through. Para isso, vamos buscar um pouquinho de inspiração nos vídeos em alta no YouTube e em alguns dados coletados pela Netflix.

Close-up de pessoas ou capturas de tela de um momento de ação

É só abrir a sua página inicial do YouTube que você logo vai notar uma tendência nas miniaturas de vídeo: vários close-ups de pessoas fazendo caras altamente expressivas.

Isso não é algo aleatório. Um estudo sobre o tema, divulgado pela Netflix dos Estados Unidos e ainda indisponível em português, mostrou que:

(...) as emoções são um canal eficiente para transmitir matizes complexas de sentimento. Além disso, sabe-se que os humanos institivamente reagem a outros rostos humanos, algo que é facilmente comprovado em outros meios de comunicação. No entanto, é importante destacar que faces com emoções complexas muitas vezes apresentam resultados melhores do que aquelas com expressões estoicas ou bondosas.

A Netflix também observou que uma imagem com mais de 3 pessoas é considerada por muitos usuários como extremamente disruptiva – uma informação útil para quando você for criar novas miniaturas para o canal.

Você também pode otimizar as miniaturas para conquistar uma melhor taxa de click-through se incluir até no máximo três pessoas no conteúdo e investir nas expressões faciais que falam mais do que mil palavras.

Não gostou muito da ideia? Bom, você também pode investir em miniaturas que despertem a curiosidade do usuário e que estejam de acordo com a temática do canal, como faz a Garagem do Bellote

Siga a “regra dos terços” para criar o conteúdo visual da miniatura

A regra dos terços nada mais é do que uma forma simplificada de atingir a “proporção áurea”, que minimiza o tempo de processamento de uma imagem no cérebro humano.

Segundo essa regra, o ponto principal de uma imagem deve estar situado não no centro da página, mas sim no primeiro ou no último terço do conteúdo:

example of the rule of thirds

Por mais que seja uma prática recomendada e não uma receita infalível, é sempre bom tentar criar um conteúdo que gere reações otimizadas dos usuários.

Não se esqueça da mensagem de texto

O início de 2019 marcou uma descoberta importante: o YouTube agora gera 37% de todo o tráfego móvel da internet. Além de ser impressionante, este dado significa que uma boa parte dos seus assinantes acessa a plataforma em dispositivos móveis.

Só para lembrar, é assim que a página inicial do YouTube é exibida nos smartphones:

O destaque da miniatura faz com que os olhos do usuário sejam imediatamente atraídos ao conteúdo visual, mas o fator que determina se ele assistirá ou não ao conteúdo é o título, que vem logo embaixo.

No entanto, é possível acelerar o processo de tomada de decisão com a inclusão de uma mensagem de texto diretamente na miniatura.

Essa mensagem pode ser o título original do vídeo ou então apenas algumas palavras-chave que despertem a curiosidade do usuário. Lembre-se: o importante é que a miniatura possa comunicar o tema do vídeo mesmo sem o título. O que você conseguir incluir nela, portanto, é lucro.

Crie miniaturas facilmente identificáveis

Se você acessar a guia “Em alta” do YouTube, verá que muitos canais estão usando as estratégias que discutimos na criação de suas miniaturas.

As miniaturas do YouTube podem ser extremamente similares, então é bom pensar em uma estratégia que ajude os assinantes a identificarem os seus vídeos logo de cara.

Se você já segue um formato consistente de vídeos, considere criar um tipo de identificação visual que ajude os assinantes a localizarem os conteúdos do canal. É o que faz a Farm, por exemplo:

4. Incentive os assinantes a ficarem no canal

Uma coisa é fazer com que os assinantes e usuários do YouTube visualizem os seus vídeos; outra coisa é fazer com que eles assistam um vídeo inteiro.

No entanto, é possível otimizar a taxa de visualização total de vídeos com apenas alguns ajustes no processo de criação de vídeos:

  • Insira um "gancho" ou um ponto de interesse logo nos primeiros segundos ou minutos do vídeo;
  • Faça a transcrição completa do vídeo. Dessa forma, será possível assistir o conteúdo mesmo com o áudio silenciado;
  • Ajuste a duração do vídeo de acordo com os dados coletados no seu canal;
  • Não use uma mesma imagem por muito tempo para não entediar o usuário;
  • Se o vídeo for muito longo, insira aqui e ali alguns momentos de descontração para chamar a atenção do usuário.

5. Incentive o binge-watching

A otimização dos seus vídeos no YouTube é apenas uma parte da equação; a outra envolve a otimização para o tempo de visualização. Para isso, você precisará se concentrar em fatores como consumo e consistência.

Além de construir conteúdos e miniaturas consistentes, você também pode investir em estratégias como:

  • Usar cartões para recomendar manualmente outros vídeos relacionados;
  • Vincular vídeos a playlists para garantir que o próximo vídeo visualizado também seja do seu canal;
  • Desenvolver um formato consistente entre as miniaturas e os vídeos – dessa forma, se um usuário gostar de um vídeo, ele estará mais disposto a conferir os outros;
  • Incorporar uma chamada para ação ou mesmo cenas de outros vídeos para incentivar a visualização.

Os algoritmos mudam; o seu canal, não

O algoritmo do YouTube já passou por mudanças drásticas ao longo dos anos, e sempre que uma nova mudança é anunciada, os YouTubers já começam a ficar preocupados, correndo atrás de novas soluções que possam substituir as estratégias antigas.

No entanto, mesmo que o algoritmo continue mudando, o seu canal não precisa mudar: em outras palavras, você precisa continuar com o mesmo objetivo de conquistar mais seguidores e assinantes.


Você tem uma ideia de negócios?

Comece o seu teste grátis de 14 dias da Shopify hoje mesmo, sem precisar de cartão de crédito!


 


Which method is right for you?Sobre a autora

Carolina Walliter é escritora, tradutora e intérprete de conferências e, em parceria com a Shopify, faz a curadoria e a localização de conteúdo para o blog da Shopify em português do Brasil.

Post original em inglês: Amir Jaffari

Tradução e localização: Marcela Lanius

Você tem dúvidas sobre a Shopify?

Escreva um e-mail para a nossa equipe de atendimento em português!

atendimento@shopify.com

Tópicos: